Como alongar os passivos da empresa de forma estratégica

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Em um cenário econômico instável, com alta competitividade e margens apertadas, muitos empresários se veem obrigados a contrair dívidas para manter a operação. No entanto, a ausência de planejamento financeiro pode transformar essa ferramenta de crescimento em um problema crônico. “Um dos erros mais comuns é assumir dívidas sem considerar o real fluxo de caixa da empresa. Isso acontece quando o empresário ignora o ciclo financeiro, não projeta sazonalidades ou até mistura finanças pessoais e corporativas”, afirma Benito Pedro Vieira Santos, CEO da Avante Assessoria, empresa com quase duas décadas de experiência em reestruturação financeira empresarial. Segundo o executivo, a renegociação de passivos não deve ser vista apenas como uma tática de sobrevivência, mas como parte estratégica do planejamento financeiro. “É preciso ter clareza sobre a capacidade de pagamento da empresa. Um compromisso de renegociação deve ser quitado com o resultado da empresa, e não ser tratado como se fosse parte da operação. Isso é um erro recorrente”, alerta Santos.   Diagnóstico Financeiro: o primeiro passo   Antes de renegociar, é fundamental entender o ponto de equilíbrio do negócio. Isso envolve mapear os custos operacionais, despesas patrimoniais, endividamento atual, ativos disponíveis e indicadores como EBITDA, margem líquida e liquidez corrente. “Trabalhamos com projeções em três cenários: otimista, realista e pessimista. Isso permite que o empresário visualize o impacto de suas decisões e esteja preparado para imprevistos”, explica Santos.   Priorizando os passivos: um método estratégico   Renegociar todas as dívidas ao mesmo tempo pode ser inviável. Por isso, a Avante recomenda uma metodologia de priorização baseada em urgência e impacto:   Prioridade 1: dívidas com juros mais altos ou que afetam a operação diretamente (como fornecedores estratégicos); Prioridade 2: passivos fiscais, que podem ser renegociados por meio de parcelamentos como REFIS; Prioridade 3: empréstimos com garantias reais.   Além disso, é importante avaliar a flexibilidade de cada credor. “Bancos e o fisco têm mecanismos mais estruturados de negociação, enquanto fornecedores podem oferecer acordos criativos se houver transparência e confiança mútua”, afirma Santos.   Como lidar com diferentes credores   A renegociação deve ser customizada conforme o perfil de cada credor. Santos detalha:   Bancos   Apresente demonstrativos atualizados e um plano de recuperação consistente; Negocie a substituição de dívidas caras por linhas de crédito mais baratas; Utilize garantias reais para obter melhores condições.   Fornecedores   Proponha prazos maiores ou descontos para pagamentos à vista; Negocie exclusividades em troca de melhores termos.   Fisco   Aderir a programas como REFIS ou buscar transações tributárias para reduzir multas e juros; Avaliar possibilidades de compensação de créditos fiscais.   “É essencial contar com uma assessoria externa especializada, porque a renegociação exige tempo, técnica e foco. Se for feita pela equipe interna, a operação pode ser comprometida”, ressalta o CEO da Avante.   Renegociar para crescer   A renegociação de passivos tem impacto direto na continuidade e expansão do negócio. Ao aliviar o caixa, a empresa ganha fôlego para investir, evita inadimplência e preserva sua reputação no mercado. “Se a dívida compromete mais de 30% do EBITDA, a renegociação deixa de ser uma opção e passa a ser uma medida de sobrevivência. Por outro lado, se a empresa tem potencial de crescimento, alongar prazos pode transformar passivos em oportunidades”, explica Santos.   A transação tributária como estratégia de reestruturação   Dentre os passivos a serem renegociados, as dívidas fiscais merecem atenção especial. Para além dos tradicionais parcelamentos como o REFIS, a transação tributária vem ganhando protagonismo como ferramenta eficaz para empresas que buscam reorganizar suas finanças e evitar litígios com o fisco. Diferente do parcelamento convencional, esse mecanismo jurídico permite uma negociação mais flexível, com possibilidade de descontos expressivos, prazos estendidos e até suspensão de execuções fiscais. “A transação tributária não é apenas uma alternativa de pagamento, mas sim uma oportunidade real de reestruturação fiscal. Ela oferece ao contribuinte a chance de ajustar seus débitos com base em sua capacidade financeira atual, o que é essencial em um contexto de recuperação ou expansão”, explica Dr. Thiago Santana Lira, da Barroso Advogados Associados. Essa modalidade tem sido utilizada com sucesso por empresas de diferentes portes, inclusive em situações de recuperação judicial. Nesses casos, os benefícios costumam ser ainda mais amplos, com possibilidade de personalização da proposta, conforme destaca Dr. Thiago Lira: “Empresas que apresentam um diagnóstico fiscal claro e uma proposta bem fundamentada conseguem não só reduzir o passivo, como também abrir espaço para retomar investimentos e regularizar sua situação com o Estado.” A adesão à transação pode ser feita via plataforma online, com programas de adesão automática, ou por meio de proposta individual — ideal para empresas que necessitam de soluções mais ajustadas à sua realidade. “É fundamental que o empresário conte com suporte jurídico especializado, tanto para identificar débitos prescritos quanto para estruturar uma proposta viável. Sem isso, há risco de comprometer o planejamento estratégico ou até reincidir na inadimplência”, alerta o advogado da Barroso Advogados. Além do alívio financeiro imediato, a transação proporciona vantagens operacionais importantes, como a suspensão de ações de execução fiscal, o que protege os ativos da empresa e evita o bloqueio de contas ou bens. “Ela é uma ponte entre o endividamento e a retomada de crescimento, desde que utilizada com responsabilidade e dentro de um plano bem estruturado”, completa o Dr. Thiago.   Casos de sucesso   A Avante e a Barroso estão há anos atuando nessa frente e explicam que acumulam uma série de negociações bem-sucedidas, tanto no âmbito administrativo quanto judicial. “Em muitos casos, conseguimos alongar passivos bancários com desconto de pontualidade. Já na esfera judicial, conquistamos deságios de até 80% dentro do plano de recuperação judicial”, revela o CEO da Avante. O segredo? Um diagnóstico financeiro detalhado e realista. “Esse processo permite entender o cenário financeiro da empresa com profundidade e tomar decisões assertivas, com menor custo e maior impacto positivo”, conclui. Renegociar dívidas com estratégia é mais do que resolver um problema: é preparar a empresa para um novo ciclo de crescimento. Com diagnóstico preciso, priorização inteligente e negociação orientada, é possível transformar passivos em instrumentos de competitividade e

Quando a marca sai do controle: riscos e prevenções na era das redes sociais

rosa sborgia

Em tempos de redes sociais hiperconectadas, a marca de uma empresa deixou de ser apenas um ativo visual ou jurídico — tornou-se um elemento altamente exposto e vulnerável. Publicações impensadas de colaboradores e representantes, vídeos virais, conteúdos polêmicos, músicas e menções não autorizadas podem transformar a imagem de uma organização de um dia para o outro. Casos como o do rapper Major RD, com o uso não autorizado do nome do Nubank em uma canção, evidenciam que a reputação de uma empresa pode ser afetada até por terceiros que não tenham qualquer vínculo formal com a empresa. Afinal, onde termina o direito à liberdade de expressão do indivíduo e começa a responsabilidade pela proteção de uma marca ou da imagem de uma empresa?   “O colaborador pode ser um marketeiro construtivo ou destrutivo”   Para Rosa Maria Sborgia, sócia da Bicudo & Sborgia Propriedade Intelectual, é preciso que a empresa trate sua imagem com o mesmo zelo que dedica ao produto ou serviço que oferece: “Qualquer colocação inadequada, feita por alguém com vínculo interno ou externo, pode colocar a marca sob risco. O colaborador, prestador de serviço e até um influenciador associado podem atuar como marketeiros construtivos ou destrutivos. E a empresa precisa estar preparada para ambos os cenários”, alerta Sborgia. Segundo ela, a Constituição Federal, o Código Civil e a Lei de Propriedade Industrial são as principais bases legais que amparam a marca e a imagem institucional. “A marca deve ser registrada pela empresa para estar protegida, seja de reprodução indevida por concorrentes, como também do uso inadequado em qualquer apresentação que gere o risco de ser afetada negativamente, ou seja, ter a sua imagem manchada”. Entretanto, a empresa, independente do seu porte, deve adotar outras ações internas perante os seus colaboradores, prestadores de serviços e pessoas que interagem na sua atividade diária, mediante regulamentos, termos de uso, política de privacidade, definindo “regras de confidencialidade, uso de marca e imagem da companhia, procedimentos disciplinares”, visando proteger-se do uso inadequado da sua marca ou imagem, o que terá consequências legais, incluindo reparações morais e materiais em favor da empresa ou da pessoa prejudicada.   Do uniforme à opinião: onde mora o risco jurídico   Com o crescimento da atuação empresarial nas redes sociais, a exposição indevida da marca por colaboradores, parceiros ou representantes comerciais passou a demandar atenção redobrada das empresas no que se refere à gestão de riscos trabalhistas e reputacionais Situações como o uso do uniforme ou logotipo da empresa em postagens ofensivas, a divulgação de bastidores contratuais ou o compartilhamento de conteúdo inapropriado que vincule a imagem institucional da organização podem configurar infrações passíveis de sanções trabalhistas, cíveis e até ações de responsabilização por danos morais Para o advogado Mourival Boaventura Ribeiro, sócio do Boaventura Ribeiro Advogados, a prevenção eficaz exige atuação integrada dos departamentos jurídico e de recursos humanos, com destaque para:   • Implementação de políticas internas formais sobre uso da marca e conduta digital; • Treinamentos regulares e campanhas de conscientização sobre limites de exposição; • Cláusulas contratuais específicas para terceiros e representantes comerciais; • Adoção de termos de ciência e responsabilidade, com previsão expressa de penalidades graduadas.   Ribeiro destaca que em casos de maior gravidade a justa causa pode ser aplicada, desde que respeitados os princípios da proporcionalidade e do contraditório, sobretudo quando há violação à honra da empresa, quebra de sigilo ou ataques à reputação. Além disso, tanto a empresa quanto o colaborador podem ser alvos de ações indenizatórias em decorrência de publicações lesivas a terceiros A atuação preventiva é o principal instrumento para mitigar passivos e preservar a integridade da imagem empresarial. Em um ambiente digital de rápida disseminação de informações, prevenir não é apenas proteger – é preservar valor, confiança e segurança jurídica.   Representantes comerciais e a linha tênue da independência   Quando o envolvido não é um empregado CLT, mas um representante comercial ou parceiro/prestador de serviços, os cuidados precisam ser redobrados. A relação jurídica muda, mas o impacto à imagem da empresa é o mesmo — ou pior. “Ainda que o vínculo seja comercial, a empresa deve formalizar contratos com cláusulas específicas de confidencialidade, uso de marca e responsabilidades por exposição indevida. As obrigações devem estar claras para todos que, de alguma forma, representem a companhia”, explica Rosa Sborgia.   Gestão de crise e reação rápida: aprendendo com os casos públicos   Casos como o do rapper Major RD, que usou a marca Nubank em uma música sem autorização e depois teve que remover a menção, mostram como até empresas com forte presença digital enfrentam esse tipo de exposição inesperada. O caso reforça a importância de equipes preparadas para a gestão de crises de imagem. “Crises digitais são rápidas. A resposta precisa ser ainda mais veloz. A empresa deve ter um plano de ação, incluindo canais de resposta, análises jurídicas e comunicação coordenada. Não basta apagar o incêndio; é preciso mostrar controle”, pontua Ribeiro. E, como ressalta Paulo Ucelli, sócio da Ponto Inicial Comunicação, a gestão de crises de imagem não é apenas uma reação, mas uma prevenção que deve ser planejada com antecedência. Ele afirma que muitas empresas ainda falham em antecipar esses riscos, o que pode ter consequências severas: “O brasileiro é um povo acostumado a lidar com muitas crises, mas uma deficiência de grande parte das empresas é ainda lidar com crises de imagem. Exemplos não faltam de empresas que perderam a mão e não souberam agir rápido diante dessa situação. Só para ficar nos mais famosos, tivemos a questão do assassinato de um consumidor por um segurança no Supermercado Carrefour e também o desastre de Brumadinho, que mancha até hoje a imagem da empresa Vale. O que faltou nesses casos? Estratégias e ação prévia de proteção da imagem”, diz Ucelli. Esse tipo de planejamento deve incluir ações de comunicação coordenada, treinamento de porta-vozes e, especialmente, um Plano de Ação de Crise que esteja pronto para ser implementado a qualquer momento. Isso inclui a criação de canais de comunicação para responder rapidamente a qualquer crise de imagem, garantindo

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