São Paulo – Com a chegada do fim de ano, surgem os gastos extras, e se as receitas não atingem as expectativas, é comum que as empresas recorram aos financiamentos bancários para cobrir os descasamentos de caixa e se tornem vítimas dos juros cobrados pelas financeiras.
Para evitar o endividamento não saudável, decorrente na maior parte das vezes dos empréstimos tomados por emergência, a medida aconselhada por unanimidade pelos especialistas ouvidos pelo DCI é o provisionamento – principalmente para as micro e pequenas empresas.
“O que o pequeno empresário deveria fazer, mas não faz, é ir guardando recursos ao longo do ano. Ter uma previsão de 13º salário, e das demais despesas do final do ano, e se provisionar”, explicou Ercílio Santinoni, presidente da Confederação Nacional das Micro e Pequenas Empresas e Empreendedores Individuais (Conampe).
Diante do cenário conjuntural, de atividade econômica retraída, os cuidados devem ser ainda maiores, alertam os especialistas – a previsão da Federação do Comércio do Estado de São Paulo (FecomercioSP) é de que as vendas do varejo registrem uma queda 2% no estado em relação ao ano passado.
“Nós sempre dizemos para não deixar para pensar no 13º salário em novembro. É melhor se precaver com para não ter aumento do rombo financeiro, em termos de fluxo de caixa”, avaliou o consultor de redução de custos Fernando Macedo, da ERA Consultoria.
Segundo a assessora econômica da FecomercioSP, Fernanda Della Rosa, embora o quadro de consumo retido deva mudar no fim do ano, com a chegada das compras para o Natal e as festas, os empresários devem formar estoques dentro da realidade econômica atual, para evitar problemas com o capital de giro.
“É importantíssimo não exagerar no estoque, porque, se as vendas não atingirem a expectativa no final do ano, vai ser difícil escoar esses produtos em janeiro, quando o consumo tende a diminuir”, observou.
Corte de custos
Diferentemente das médias e grandes empresas, que têm mais facilidade para gerar capital de giro e formar reservas financeiras, no entanto, a micro e pequenas empresas lidam com fluxo de caixa mais apertado.
“O micro e pequeno empresário ‘vende hoje para comprar mais amanhã’. Ele, normalmente, não tem capital de giro. Compra em pequenas quantidades e está formando estoques quinzenais, principalmente com a redução da atividade econômica”, avaliou o presidente da Conampe.
Assim, enquanto as grandes têm mais margem para controlar as despesas e facilidade em administrar os gastos do fim do ano, que além de 13º salários podem incluir férias coletivas, funcionários temporários, e gratificações extras, entre outros, as MPEs, que têm orçamento mais enxuto, ficam mais reféns do aumento de receitas, encontrando dificuldades em conter custos e se provisionar.
“Elas já possuem gastos reduzidos. Têm pouco funcionário, gastam o mínimo com energia e água. É bem difícil”, observou Santinoni.
Os especialistas, entretanto, afirmaram que, apesar das dificuldades, é possível reduzir as despesas e aumentar a saúde financeira das pequenas. De acordo com Della Rosa, um dos modos é formar capital de giro no final do ano, oferecendo descontos para o pagamento à vista e evitando gastos com antecipação de recebíveis nas instituições financeiras.
“Embora, no Natal, oferecer prazo alongado seja um diferencial, principalmente no setor de vestuário, dar descontos pode ser uma opção de reduzir os gastos”, disse. “É necessário fazer as contas, contudo, para ver se o desconto vale mais a pena que o financiamento bancário”, completou a especialista.
Gastos periféricos
Para Macedo, cuja consultoria é especializada em redução de gastos, a diminuição de despesas nem sempre está ligada com o negócio principal da empresa. “Existem uma série de gastos periféricos, que o empresário nem sempre dá importância”, afirmou o especialista.
Segundo o consultor, a estratégia de contenção de custos varia para cada companhia, porém existem alguns setores que quase sempre apresentam excessos. No caso das pequenas empresas, Macedo disse que os custos periféricos excessivos normalmente se concentram em telecomunicações, limpeza e alimentação.
“Em um dos nossos trabalhos, o empresário tinha cerca de 50 chips de celular guardados na gaveta. A assinatura do serviço, conforme ele mesmo mostrou, era barata, porém cada chip tinha um pacote de dados incluído. Isso gerava um custo enorme”, contou. “A solução foi pegar esses dados e passar para funcionários que estouravam o limite de uso de dados todo mês”, completou.
Ele disse que, ao aparar várias pequenas arestas, a economia gerada pode ser enorme. Outro ponto observado por Della Rosa que, embora não gere benefício de caixa imediato, pode ser incluído no planejamento de longo prazo, são os contrato com fornecedores.
“Renegociar com fornecedores, negociar prazos maiores ajuda a desafogar um pouco. Ajuda se conseguir parcelar de forma mais alongada, com parcelas menores”, comentou.
Emergência
A legislação brasileira estipula que as empresas têm até o dia 30 de novembro para pagar a primeira parcela do 13º salário deste ano, sendo que a segunda parcela deve ser paga até do dia 20 de dezembro.
“O 13º salário é uma obrigação para todas as empresas que possuem empregados, e o não pagamento é considerado uma infração, podendo resultar em pesadas multas para a empresa caso autuada por um fiscal do Trabalho”, observou Fabiano Giusti, consultor trabalhista da Confirp Contabilidade.
Se o empresário não se provisionou até então, portanto, os especialistas afirmaram que dificilmente ele conseguirá fugir do financiamento bancário. Macedo explicou, entretanto, que as empresas devem evitar das “linhas prontas” para cobrir o 13º salário.
“Os bancos já têm produtos prontos para salvar as empresas. O ideal é procurar linhas diferentes, que tenham condições de carência, juros e liquidação melhores. Por isso, quanto mais cedo a pessoa procurar o banco melhor, pois, se ela chega com um prazo curto na frente do gerente, mas difícil fica de negociar”, observou.
O ideal, de acordo com ele, é que as empresas contratem o financiamento – caso perceba que não terão como fugir dele – já no meio do ano. “Hoje, já está tarde. Mas, pensando no futuro, se tiver passado seis meses e a empresa souber que precisará de capital de giro, já deve fazer uma contratação a termo”, analisou o consultor.
Fonte 0 DCI – http://www.dci.com.br/em-destaque/para-evitar-banco-no-fim-de-ano%2C-pequenas-devem-se-provisionar-id427705.html
20/11/2014 – 05h00 | Atualizado em 20/11/2014 – 08h21
Pedro Garcia



